Furto.

Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

O Vento Leva...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Frida,eu.



''Diego está na minha urina, na minha boca, no meu coração, na minha loucura, no meu sono, nas paisagens, na comida, no metal, na doença, na imaginação.''




É,talvez ele esteja em mim.Impregnado nas solas do sapato,nas beiradas da cama,na magreza da minha imaginação,na monocromia.Talvez seja,ainda, as tintas que me faltam e o próprio quadro branco na parede.
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sexta-feira, 29 de maio de 2009



Há tanta solidão em quem [me]repare...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dois a Rodar


Não adianta perguntar;ela não sabe.Ela jamais se recordará do momento exato-se é que houve algum-em que seus olhos perdidos,de nada quererem,passaram a tudo desejar.
Inútil também implorar,retorquir ou até mesmo argumentar que tais coisas não se esquecem assim.Ela não faz a menor idéia de como,ou quando,tudo começou.
Foi tudo muito natural,certamente diria,tal como comer,andar e dormir.Estava já no inconsciente,no avesso das pálpebras,no imaginário popular.Estava nas histórias pintadas nas paredes das cavernas,na herança ancestral,nas lendas,no próprio código genético.
A coisa toda se dissiminou como peste,multiplicou-se como epidemia até estar em toda parte,nela toda.
Talvez,quem sabe,vasculhando
a memória ou forçando o cérebro em busca de algo lógico ela sentencie Drummond.Era o culpado.Sempre a poesia,os lábios,as letras ensaiadas...
Afinal,de que outra maneira explicar tamanha familiaridade?Como se olhasse nos olhos dele desde o ínicio dos tempos,como se nele existissem todas as respostas às perguntas que sequer pensara em fazer.
Como explicar a eternidade do abraço,toda a vida em um segundo,todo o mistério de si mesma abrigado ali,naquele corpo?
Certamente não o conhecia.Era mais,muito mais do que isto.Mais do que conhecendo sentia como se o estivesse recordando.Recordando o modo de pender a cabeça para o lado,o riso alto e incontido,do modo de contraria-la sem qualquer argumento decente,dos olhos baixos quando aborrecidos.Relembrando o cheiro do abraço,da nuca,da segurança do colo em uma cama estreita.
Como não reconhecer o tato,o cinismo na voz,o contorno suave do rosto,a sinceridade do sorriso?
E o encontro?Até mesmo ele,quando veio,chegou carregado de conhecimento.Muito,muito antes dele se inclinar ela já sabia o que viria pela frente,e talvez por isto e por nada mais tenha se permitido pular todas as etapas estipuladas por ela mesma,afinal ele já as tinha ultrapassado antes.

Porque o passado,o sempre e o futuro estavam neles misturados.Como se os dezoitos anos de sua vida até aqui fossem apenas instantes que ele passou fora,atrasado.Como se todas as conversas,dizessem,no íntimo:eu nasci,cresci e vivi,mas não se preocupe pois vou te contar os detalhes de quase duas décadas que passaste longe.O que veio antes,muito antes de nós.
Como se o [re]conhecesse há tempos,tempo demais para determinar quando.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Incabível.

Eu posso esquecer de mim mesma tentando ser todas as outras,posso sentir os (im)pulsos cada vez mais latejantes e insistentes,posso falar de banalidades apenas para que as palavras não escorram pelo canto da boca,confessas.
Posso me persuadir de que toda essa urgência em te seguir,alcançar teus passos,toda essa vontade do teu toque-vontade que estremece o corpo,preenche a alma,que me acelera a respiração-eu inventei.
Inventei o corpo dolorido da tua falta,o desejo úmido,essa paixão que rejeita limites.Inventei essa memória desavisada sussurrando teu nome,lendo sua poesia e dilacerando as minhas letras.
Inventei o avesso dos ponteiros,as dobras da pele respingando desejo.O cheiro que tinha a própria pele.
Tento me perduadir e falho;sempre falho.Esbarro na cumplicidade dos nossos corpos e me convenço ainda mais.Me convenço que preciso da violência das tuas vontades,do ímpeto de conhecer cada detalhe,do gosto do beijo,da agilidade das tuas mãos sempre indiscretas.
Porque embora eu ainda guarde nas pontas dos dedos a textura da tua pele,os timbres que ainda vibram,a sofreguidão dos nossos peitos,embora eu exista além de mim em você aqui e lá e em qualquer lugar,preciso que vás.Esse corpo pequeno já não pode mais te conter.Porque,meu bem,eu preciso voltar a caber dentro de mim.

"Eu, que vivo de lado, sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo".

(Clarice Lispector).

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ao vento


Há um tempo,sim,venho a viver com esta estranha mania de acumular-nos.Acumulo os dias,as horas sempre tão ingratas,os gestos econômicos,indiferença.
No final você verá que apenas as coisas mais leves o vento não levou.O carinho na hora precisa,as palavras na madrugada,o olhar melancólico, encontro, o perfume,os lençóis da cama.
Creio que tu sejas o próprio vento.Sempre a namorar o tempo,controlando-o.Vento que sussurra e acaricia.Vento-ventania a descabelar-me.
Vai passar,tu sabes que vai passar.Vai passar como vento que é.Fechará a porta amistosamente,limpará as superfícies e produzirá ranhuras e frestas.
Virá então essa dor sem pouso.Começarei a me despersonalizar.Repetirei teus versos e teus gostos apenas para te sentir aqui,mais perto.Exercitarei a falta de domínio.Mudarei os horários apenas para estar livre para surpresas.Uma ligação,uma carta,um olhar,qualquer coisa que não queira dizer nada. Vou acender o fogão e preparar a janta,apenas para manter o corpo funcionando e esperar por algo que não seja você.Me movimentarei com um corpo que não me pertence.

Eu choro às vezes,sabe?Rirás disso certamente,mas eu choro.Acho que choro todos os dias.Mas,de vez em quando, eu choro assim como hoje.Choro para me transbordar,esvaziar-me um pouco de você. Choro de sacudir o corpo, de constranger a alma,de soluçar,de matar-me de angústia.Choro porque é dor demais,raiva demais.Amor demais.
Choro porque tudo existe,e ainda sim não existe nada lá fora,nada,nada!Choro porque o mundo é tão grande e eu sou tão pequena.Choro abraçando almofadas e rangendo dentes.Choro porque tenho um medo danado porque tenho uma coragem tremenda.Choro enquanto penso que todas as atitudes devem ser tomadas.Choro porque não posso.Choro porque mesmo não tendo para onde ir tenho cada passo programado.


Choro simplesmente,porque há espera sem esperança.

Ainda assim esperarei.Há sempre um impulso,este cruel impulso vital que impede que tudo dure, lhe forçando a viver,nos empurrando para o parapeito da vida.

Virá os dias,esperarei você de um outro modo.Este quando finjo que não espero.Me faço desperbebida,me ignoro,me nigligencio.Finjo que sou,que não sou.Finjo que amo,que não amo.Sou farsante,lembra?

Esperarei na soleira da porta pelo seu retorno.Esperarei porque você é vento.Sei que é.Passará sorrateiro e gentil na curva da esquina.Sem caminhos.Apagará meus cigarros e encherá meus pulmões de novos ares.

Talvez me traga novas cores,eu que sou tão monocromática...Quero mesmo é seguir tua rota!Pudera eu seguir teus [des]caminhos,enlaçar teus pés ligeiros,sair do eixo com teus movimentos e de tanto sentir-te em todas as beiradas do meu corpo poder tocar-te,finalmente.Um segundo bastaria pela espera de anos.


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Este é o último post do "Furtando Faces".Agradeço a todos os visitantes fiéis e seus comentários.Abandonei a escrita,talvez algo importante me faça tocá-la novamente. Não se preocupem,continuarei acompanhando todos os blogs.


"É mais fácil sentir pousar o ouvido nas nuvens

E sentir passar as estrelas

do quê prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos ".

(Cecília Meireles)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Destinos



Despeço-me.
Objetos cotidianos,faces conhecidas,cartas,trabalho,família;tantas obrigações.
Despeço-me,e sequer digo adeus.
Do vestido no armário,dos sapatos enlaçados,dos corpos suados e dormentes.
Desperso-me.

Me indeciso entre dois mares,dois amores,duas roupas.
Aceno com mãos pesadas e sujas.
Descubro a imensidão que se alonga além do horizonte,nítido afinal.
A boca saliva,a sede se sacia.
Adormeço entre as ilhas da recordação.
Durmo agora,recomeço amanhã.
Desfaço tudo,torno a esquecer-me...
Me recuso a ser novamente!


Eu,de destinos vários
Buscando o sentimento impossível
De rumos diversos sem nunca,no entanto,perder o endereço.


Eu,aprendendo o tempo
Semeando o vento,
Afogando-me entre meus oceanos,
Me ajeitando aqui e ali,
Limpando os resquícios de ontem.


E fechando os olhos,sozinha,no escuro,apagando a memória,
e os sonhos quando a viagem se acaba.


Eu,um gerúndio.
Um ser-sendo.
Eu,em cada breve instante,[re]fazendo me assim:
Estrangeira de mim mesma.




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Desculpem a ausência,estava me procurando em qualquer lugar por aí.




Não chegarei,amor é estar à caminho.
(Fabrício Carpinejar).



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Aos poucos


Sempre foi assim:amor pela metade.Família pela metade.Amigos pela metade.Metades que nunca tiveram a decência nem ao menos a gentileza de tornarem-se inteiras.
Logo aprendeu a andar com seus meios para lá e para cá,desfragmentando-se pelos caminhos.Dividiu os pedaços sem nunca,no entanto,perde-los.Ou perder-se.
De fato ainda é desfigurada.E ainda assim intensa e verdadeira,como um quadro de Picasso.
Sabe regalar-se entre seus bocados.Saciando a fome de alguns,despertando gula entre outros.
É seguro dizer que apenas ele a viu por inteiro.Ninguém nunca a viu tão nua e transparente como ele.Ninguém jamais ouviu seu choro abafado embaixo das cobertas com medo de não ser inteligente o suficiente,boa o suficiente;exceto ele.
Contudo foi tão somente ele que gargalhou-se de sua alma torpe e suja.De seus cabelos desarrumados.De sua inversão de atributos.De seus olhos sempre mirados no chão.Da fala descompassada.Unhas mal-feitas.Corpo imperfeito.Desafinação.
Nada disso lhe era novo.Comportava-se como alguém habituada aos sintomas da fuga;do enleio entre começo e fim.E mesmo que tudo dissolvesse,ainda assim,já era bastante bonito.
Reviveria sim tudo novamente,mas uma aventura não se recomeça;sequer se prolonga-dizia a si mesma,relutante.
Há coisas que surgem apenas para nos mostrar não sei o quê.Um'não sei o quê'que nos preenche com visitas curtas.Em breves segundos,sem as misérias da repetição.Para que que se arraste os dias assim:irremediavelmente enredados por coisas já consumidas e fermentadas.
E por quê?Porque há coisas que vão muito além.Além de qualquer um e de qualquer coisa.
Foi em uma ausência assimilada,em uma despedida consentida que ele se foi.Levando os sapatos,as risadas debochadas e uma grande parte de uma alma já trincada.
Ela,sorrindo,não teve tempo de dizer-lhe que já podia olhar o chão como de costume e nele reconhecer seus passos que,agora sim,seguiam para qualquer lugar.

Porque para fazer-se inteiro é necessário mais do que pedaços bem construídos e encaixados.É necessário,sobretudo,um reflexo na pupila de quem nos mira.

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"Eu escrevo sem esperança
de que o que eu escrevo altere qualquer coisa.
Não altera em nada...
Porque no fundo a gente
não está querendo alterar as coisas.
A gente está querendo desabrochar
de um modo ou de outro..."

(Clarice Lispector).


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Selo que recebi do querido Conde Vlad!Gracias!

Selo que recebi da ,dedicado não a 'blogueira' mas sim à amiga!Valeu Jú!

Repasso à todos da minha lista e também à todos aqueles que quiserem.