
São Paulo é uma cidade curiosa.Há lugares que são motivo de orgulho de paulistanos,como a avenida Paulista e seu fluxo intenso de carros,pessoas e informações.E há o bairro da Luz,sujo e abandonado,reduto de prostitutas,menores abandonados e drogados.Pessoas passam,torcem o nariz,sentem-se incomodados com aquela realidade tão exposta.
Mas é exatamente aqui,no bairro da Luz,que o carro importado da senhora Regina decidiu quebrar.Madame Regina(como gosta de ser chamada) está sozinha,seu coque tradicional já está desfeito,veste suas roupas espalhafatosas e justas terminadas em um salto alto vermelho.
No mesmo dia e local estão Pedro foguete e o vira-lata Bang.Pedro é um garoto franzino,magro e amarelado,aspecto este obtido através dos dias em que não há pão nem água.O apelido herdado das ruas-foguete-justifica-se pela maneira como seus pés,sempre descalços,adquirem velocidade ímpar em noites de vigílias policiais e tiroteios.
Bang,por sua vez,apesar de uma aparência amarelada também,com seus pêlos sujos e curtos,parece mais saudável que seu companheiro.Talvez porque receba dos passantes caridosos,uma dose maior de cuidado e atenção.
O fato é que tudo aconteceu rápido demais.Madame Regina saiu do inoportuno carro e decidiu pedir ajuda.Pedro foguete e seus habilidosos pés rapidamente correram em sua direção.Bang, logo atrás, abanava o rabo e latia.Pedro apenas pediu-lhe esmolas e comida.
Madame Regina assustou-se,pensou que fossem assaltá-la.Fitou aquelas duas figuras por alguns instantes e prometeu a Pedro algumas moedas em troca de um mecânico.Ele concordou e pediu a madame que cuidasse de seu cão por alguns instantes.
Voltou uma hora depois.O sujeito,malandro,logo percebeu a situação e cobrou-lhe o dobro do preço habitual.A velhaca não se importou,dinheiro não era problema.
Resolvido o dilema com o carro,a velha senhora chegou perto de Pedro entregou-lhe as moedas prometidas e pediu Bang.Com a recusa do garoto,ela logo apresentou-lhe as mais diversas vantagens para seu companheiro,apelou para chantagens emocionais até que enfim,ele cedeu.
Na verdade aquela senhora tinha se compadecido do sofrimento daquele,como costuma repetir, 'pobre animalzinho'.Não se conformava com a falta de sensibilidade das pessoas que ali passavam diariamente.Como poderiam ser tão indiferentes ao sofrimento daquela criatura?
A bondosa senhora orgulha-se de ter adotado Bang.Volta e meia diz à seus ricos amigos o quão prestativa é,e os convence disso,tirando de sua bolsa caríssima demostrativos de doações à instituições de caridade.
Atualmente Bang gosta de regalar-se na grama macia da mansão onde mora.Conta com banho e tosa diários,ração francesa e até mesmo aulas de natação.Mas,vez em quando, sente falta de seu companheiro Pedro foguete.E é então que,em noites de descuido,costuma andar pela região pobre da cidade e encontrar Pedro, que continua tão amarelo magro e sujo como sempre.
Mas é exatamente aqui,no bairro da Luz,que o carro importado da senhora Regina decidiu quebrar.Madame Regina(como gosta de ser chamada) está sozinha,seu coque tradicional já está desfeito,veste suas roupas espalhafatosas e justas terminadas em um salto alto vermelho.
No mesmo dia e local estão Pedro foguete e o vira-lata Bang.Pedro é um garoto franzino,magro e amarelado,aspecto este obtido através dos dias em que não há pão nem água.O apelido herdado das ruas-foguete-justifica-se pela maneira como seus pés,sempre descalços,adquirem velocidade ímpar em noites de vigílias policiais e tiroteios.
Bang,por sua vez,apesar de uma aparência amarelada também,com seus pêlos sujos e curtos,parece mais saudável que seu companheiro.Talvez porque receba dos passantes caridosos,uma dose maior de cuidado e atenção.
O fato é que tudo aconteceu rápido demais.Madame Regina saiu do inoportuno carro e decidiu pedir ajuda.Pedro foguete e seus habilidosos pés rapidamente correram em sua direção.Bang, logo atrás, abanava o rabo e latia.Pedro apenas pediu-lhe esmolas e comida.
Madame Regina assustou-se,pensou que fossem assaltá-la.Fitou aquelas duas figuras por alguns instantes e prometeu a Pedro algumas moedas em troca de um mecânico.Ele concordou e pediu a madame que cuidasse de seu cão por alguns instantes.
Voltou uma hora depois.O sujeito,malandro,logo percebeu a situação e cobrou-lhe o dobro do preço habitual.A velhaca não se importou,dinheiro não era problema.
Resolvido o dilema com o carro,a velha senhora chegou perto de Pedro entregou-lhe as moedas prometidas e pediu Bang.Com a recusa do garoto,ela logo apresentou-lhe as mais diversas vantagens para seu companheiro,apelou para chantagens emocionais até que enfim,ele cedeu.
Na verdade aquela senhora tinha se compadecido do sofrimento daquele,como costuma repetir, 'pobre animalzinho'.Não se conformava com a falta de sensibilidade das pessoas que ali passavam diariamente.Como poderiam ser tão indiferentes ao sofrimento daquela criatura?
A bondosa senhora orgulha-se de ter adotado Bang.Volta e meia diz à seus ricos amigos o quão prestativa é,e os convence disso,tirando de sua bolsa caríssima demostrativos de doações à instituições de caridade.
Atualmente Bang gosta de regalar-se na grama macia da mansão onde mora.Conta com banho e tosa diários,ração francesa e até mesmo aulas de natação.Mas,vez em quando, sente falta de seu companheiro Pedro foguete.E é então que,em noites de descuido,costuma andar pela região pobre da cidade e encontrar Pedro, que continua tão amarelo magro e sujo como sempre.
À margem de toda rua, sem identificação, sei não...
Um homem de pedra, de pó, de pé no chão
De pé na cova, sem vocação, sem convicção
...
À margem de toda candura
Homem de pedra, de pó, de pé no chão
Não habita, se habitua.
***
Ando um pouco descuidada do blog e da minha vida.Obrigada pelos comentários.
Desculpe se demorar para comentar nos blogs,mas comentarei.
10 furtos:
Eu achei o texto absolutamente ótimo.
Absolutamente.
Seu "cidadão de papelão" me remeteu ao Pedro Bala, de Jorge Amado em Capitães da areia.
Sua visão social associada à poesia do caos é belíssima.
Beeijos!
p.s.: Me lembrou também um texto brilhante escrito por um amigo meu.
www.maisumadosedepalavrasporfavor.blogspot.com/
Estou adorando os textos que está postando!
Esse, além de como foi escrito, o conteúdo é incrível.
;)
nossa, você escreve muito bem!
amei seu texto, amei mesmo :)
realmente é a realidade do mundo, não só de são paulo...
beijinhos ;*
uma realidade terrível, que por vez ou outra passa por despercebida aos olhos de muitos, ou todos.
você escreve muito bem, parabéns.
e sobre o meu texto; a minha grande bolsa amarela com minhas felicidades e tudo o que me resta, sempre vai para o lixo, e retorna para mim, é incrível como é díficil jogar fora tudo que o envolva.
beijos.
passo para agradecer pela visita, e aproveito para elogiar teu blog.. gostei do que vi.. voltarei mais vezes.
verdadeiramente incrivel!
pior que essas cousas acontecem...
Realidade do caus!!
Continue escrevendo, texto perfeito!
Admirei bastante o texto!
Principalmente porque voce msotrou a realidade de uma forma menos grotesca de se ver, mais de modo que não fugiu dos fatos nus e crus!
x)
Achei incrivel o fato de voce ter citado São paulo do jeito que citou, e me faz lembrar bastante o rio, porque é incrivel, nas cidades perto da praia tem aqueles blocos lindos, casas fenomenais e tudo o mais, mais logo atras (literalmente) tem aquelas favelas horrorosas, e ngm se preocupa com o pessoal que mora lá!
beijinhos!
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