
Não adianta perguntar;ela não sabe.Ela jamais se recordará do momento exato-se é que houve algum-em que seus olhos perdidos,de nada quererem,passaram a tudo desejar.
Inútil também implorar,retorquir ou até mesmo argumentar que tais coisas não se esquecem assim.Ela não faz a menor idéia de como,ou quando,tudo começou.
Foi tudo muito natural,certamente diria,tal como comer,andar e dormir.Estava já no inconsciente,no avesso das pálpebras,no imaginário popular.Estava nas histórias pintadas nas paredes das cavernas,na herança ancestral,nas lendas,no próprio código genético.
A coisa toda se dissiminou como peste,multiplicou-se como epidemia até estar em toda parte,nela toda.
Talvez,quem sabe,vasculhando a memória ou forçando o cérebro em busca de algo lógico ela sentencie Drummond.Era o culpado.Sempre a poesia,os lábios,as letras ensaiadas...
Afinal,de que outra maneira explicar tamanha familiaridade?Como se olhasse nos olhos dele desde o ínicio dos tempos,como se nele existissem todas as respostas às perguntas que sequer pensara em fazer.
Como explicar a eternidade do abraço,toda a vida em um segundo,todo o mistério de si mesma abrigado ali,naquele corpo?
Certamente não o conhecia.Era mais,muito mais do que isto.Mais do que conhecendo sentia como se o estivesse recordando.Recordando o modo de pender a cabeça para o lado,o riso alto e incontido,do modo de contraria-la sem qualquer argumento decente,dos olhos baixos quando aborrecidos.Relembrando o cheiro do abraço,da nuca,da segurança do colo em uma cama estreita.
Como não reconhecer o tato,o cinismo na voz,o contorno suave do rosto,a sinceridade do sorriso?
E o encontro?Até mesmo ele,quando veio,chegou carregado de conhecimento.Muito,muito antes dele se inclinar ela já sabia o que viria pela frente,e talvez por isto e por nada mais tenha se permitido pular todas as etapas estipuladas por ela mesma,afinal ele já as tinha ultrapassado antes.
Porque o passado,o sempre e o futuro estavam neles misturados.Como se os dezoitos anos de sua vida até aqui fossem apenas instantes que ele passou fora,atrasado.Como se todas as conversas,dizessem,no íntimo:eu nasci,cresci e vivi,mas não se preocupe pois vou te contar os detalhes de quase duas décadas que passaste longe.O que veio antes,muito antes de nós.
Como se o [re]conhecesse há tempos,tempo demais para determinar quando.
Inútil também implorar,retorquir ou até mesmo argumentar que tais coisas não se esquecem assim.Ela não faz a menor idéia de como,ou quando,tudo começou.
Foi tudo muito natural,certamente diria,tal como comer,andar e dormir.Estava já no inconsciente,no avesso das pálpebras,no imaginário popular.Estava nas histórias pintadas nas paredes das cavernas,na herança ancestral,nas lendas,no próprio código genético.
A coisa toda se dissiminou como peste,multiplicou-se como epidemia até estar em toda parte,nela toda.
Talvez,quem sabe,vasculhando a memória ou forçando o cérebro em busca de algo lógico ela sentencie Drummond.Era o culpado.Sempre a poesia,os lábios,as letras ensaiadas...
Afinal,de que outra maneira explicar tamanha familiaridade?Como se olhasse nos olhos dele desde o ínicio dos tempos,como se nele existissem todas as respostas às perguntas que sequer pensara em fazer.
Como explicar a eternidade do abraço,toda a vida em um segundo,todo o mistério de si mesma abrigado ali,naquele corpo?
Certamente não o conhecia.Era mais,muito mais do que isto.Mais do que conhecendo sentia como se o estivesse recordando.Recordando o modo de pender a cabeça para o lado,o riso alto e incontido,do modo de contraria-la sem qualquer argumento decente,dos olhos baixos quando aborrecidos.Relembrando o cheiro do abraço,da nuca,da segurança do colo em uma cama estreita.
Como não reconhecer o tato,o cinismo na voz,o contorno suave do rosto,a sinceridade do sorriso?
E o encontro?Até mesmo ele,quando veio,chegou carregado de conhecimento.Muito,muito antes dele se inclinar ela já sabia o que viria pela frente,e talvez por isto e por nada mais tenha se permitido pular todas as etapas estipuladas por ela mesma,afinal ele já as tinha ultrapassado antes.
Porque o passado,o sempre e o futuro estavam neles misturados.Como se os dezoitos anos de sua vida até aqui fossem apenas instantes que ele passou fora,atrasado.Como se todas as conversas,dizessem,no íntimo:eu nasci,cresci e vivi,mas não se preocupe pois vou te contar os detalhes de quase duas décadas que passaste longe.O que veio antes,muito antes de nós.
Como se o [re]conhecesse há tempos,tempo demais para determinar quando.
2 furtos:
"Como explicar a eternidade do abraço".
Acho que não se explica.
;)
quanto tempo..
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